O uso de hormônio de crescimento interfere no pico de crescimento mandibular?
Nos últimos anos tem sido comum se deparar com pacientes submetidos a tratamento com hormônios de crescimento. O fato é que pouco se sabe sobre o assunto na odontologia e qual o impacto desses tratamentos no crescimento da face como um todo.
Terapias com hormônio de crescimento interferem no crescimento mandibular?
Pico de crescimento Puberal
Terapias com hormônio de crescimento interferem no crescimento mandibular?
De maneira geral estudos indicam de forma consistente que a terapia com hormônio do crescimento está associada à maior crescimento mandibular e a um padrão mais prognático, mas quase nenhum estudo mede diretamente o pico de crescimento mandibular puberal como evento temporal distinto, ou seja, a terapia com GH tende a aumentar dimensões mandibulares e favorecer crescimento craniofacial mais prognático em crianças e adolescentes(1,2,3). De qualquer forma o efeito parece maior com tratamento mais longo e quando iniciado mais cedo, mas a certeza da evidência ainda é baixa a moderada.
Estudos longitudinais em humanos mostram aumento global do crescimento craniofacial durante GH, com maior comprimento mandibular, rotação anterior da mandíbula e padrão mais prognático (2). Em crianças com Turner, o aumento do comprimento mandibular ocorreu principalmente por crescimento vertical do ramo, com rotação anterior mandibular e sem sinais de crescimento maxilar excessivo (4).
Pico de crescimento Puberal
Apesar de estudos indicarem a relação entre uso de hormônios de crescimento e o crescimento mandibular, ainda não há um consenso sobre a ação dos hormônios no surto de crescimento puberal.
A fisiologia puberal conecta GH, IGF-1 e esteroides sexuais ao surto de crescimento, incluindo a mandíbula (5,6).
A revisão clínica na puberdade mostra que a velocidade de crescimento mais que dobra na puberdade, mas o limite do crescimento é imposto pela aceleração da idade óssea e pela fusão epifisária (6).
Revisões ortodônticas concluem que o efeito do GH depende do timing de administração, e o início mais precoce tende a favorecer correção sagital maxilomandibular (3,7)
Ainda assim, faltam estudos que alinhem diretamente o pico de crescimento mandibular com marcadores puberais seriados sob uso do GH (1,7).
Evidência experimental e limites
Em modelos animais, GH estimulou crescimento mandibular e condilar, e a combinação com avanço mandibular funcional aumentou ainda mais o comprimento mandibular, espessura da cartilagem condilar e expressão de marcadores de remodelação (8). Outros modelos em ratos e coelhos também mostraram maior crescimento mandibular ou atividade da cartilagem condilar com GH local ou sistêmico (9).
Esses achados apoiam um mecanismo biológico plausível, porque o côndilo mandibular expressa receptores de GH/IGF-1, e testosterona pode estimular IGF-1 e seu receptor no côndilo durante a puberdade (10,11). Mas a evidência clínica permanece limitada por heterogeneidade, poucos ensaios controlados e baixa certeza global nas revisões mais recentes (1,3).
Em resumo, existe relação entre uso de GH e maior crescimento mandibular, inclusive durante a idade de crescimento, mas a literatura ainda não demonstra com precisão que o GH mude o timing ou a magnitude do pico puberal mandibular de forma previsível. O que ela sustenta melhor é um aumento modesto da resposta mandibular, mais evidente com tratamento prolongado e início mais precoce.
Referências
2.https://academic.oup.com/ejo/article-abstract/29/3/243/479944?redirectedFrom=fulltext
4.https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1651-2227.1993.tb12698.x
5.https://academic.oup.com/endo/article-abstract/140/4/1901/2990737?redirectedFrom=fulltext
6.Management of Growth Disorders in Puberty: GH, GnRHa, and Aromatase Inhibitors: A Clinical Review
7.The strategies of orthodontic treatment in children with growth hormone deficiency
9.https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0003996913001131?via%3Dihub
